O Preço de um Diferente Chamado.
Olho para a minha direita e vejo; não há ninguém que se preocupe comigo. Não tenho refúgio seguro; ninguém se importa com a minha vida. Salmos 142:4
As dores que carrego não tenho como descrevê-las; só eu sei o que sinto e o que se passa dentro de mim. Sigo a minha caminhada tentando lidar com o meu infortúnio, procurando não parar diante dos dedos apontados.
Não vou me abrir para ninguém: contar realmente o que me acontece seria me expor, ser alvo de gracejos e virar diversão para os que desejam me ver cair.
Como relatar o que sinto se não acreditam no que digo? Abrir a minha vida para quem não tem condições de voar comigo é perda de tempo. Quem decidiu ficar no solo jamais compreenderá quem se arrisca a voar. Assim como os que preferem os vales nunca reconhecerão o brio de quem ousou alcançar o apogeu.
Meu trajeto é espinhoso; sigo adaptando-me à sabedoria do silêncio. A cada passo meu, escuto seu grito ensurdecedor dentro de mim.
Vontade de falar até sinto, mas sem ter que ouvir. Meus punhos se cerram, minha mente me confronta — são tantas interrogações sem resposta. Há momentos em que até Deus se silencia, como se Ele afirmasse: "Você precisa passar por isso, para este momento eu te criei".
Procuro suportar os agrilhões da missão a mim confiada.
Penso em descrever o processo que fui encurralada a seguir, mas para que dizer isto? O que já foi traçado para a minha história não tem como ser dividido; o que já me foi imposto não pode ser transferido.
Ninguém entenderá a minha dor. Ninguém poderá caminhar dentro de mim para vasculhar o meu recôndito e ver as feridas que eu escondo.
Neste mundo de aparências, as pessoas se deslumbram diante do que veem; poucas são as que escutam o que ouvem; e quase ninguém enxerga.
Dissertar sobre o meu interior é me expor para uma plateia que decidiu seguir o "ouvir falar": não adentra, não mergulha, não busca. A superfície lhes é suficiente; o profundo é coisa para os iguais a mim, que chamam de insana.
Se tudo passa, vai passar! O propósito se cumpre para os que não abortam o método. Quando a missão confiada é árdua, a recompensa irá superar a causa e grandificar o comprometido.
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Pra. Elza Amorim

