Palavra do dia 10 de junho de 2O26.
E dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome cada dia a sua cruz, e siga-me. Lucas 9:23
A genuína comunhão com Deus leva a um impacto frontal: você se vê como realmente é — barro moldado diante do Onipotente. Até o pensar em olhar para o alto o faz estremecer.
Uma ruptura surge, o humano é rasgado. É imprescindível a cirurgia na alma, que depois é costurada por linhas invisíveis. Fica-se moído sem ouvir o som das pancadas; apenas se sente o penetrar da flecha do Criador.
Tudo fica revirado por dentro. Confrontado se é, e desarmado de todo argumento. Torna-se como um penhasco que vira granito, encaixado pelo molde do Céu.
Tudo muda, fica-se diferente: o falar, o andar e o proceder já não são de uma pessoa normal, mas de alguém que foi marcado pelo Sinete de Deus.
O que era tomado por certo perdeu o selo da verdade, e o que não se conhecia vira o real. Somos colocados na moldura, em um cenário constituído por Deus; é Ele quem pinta o quadro com o óleo da Sua própria unção, fazendo o Seu brilho ser refletido em nós.
Nada mais abala quem realmente passa por este confronto e encontro. A sua convicção é firme, pois entendeu que agora o nosso papel é apenas ouvi-Lo e obedecê-Lo, fazendo ecoar a Sua voz com a máxima potência e beleza possíveis para sarar a tantos outros de nós.
Passamos a transmitir a essência Daquele que vive em nosso íntimo.
Nada fica mais fácil, mas o Céu se abre em nosso favor. O clamor de um coração quebrantado produz uma experiência viva e faz Deus se inclinar do Seu trono para o ouvir.
Quando de coração se teme ao SENHOR, está assinado, decretado e blindado o fluir d’Ele no profundo das entranhas.
Nem as marcas do deserto e o peso do Evangelho autêntico o fazem voltar atrás, pois a fé desta pessoa não está baseada em opiniões humanas, mas no forjar no fogo e no silêncio com Deus. E ninguém tem o direito de questionar a autoridade de uma cicatriz.
Deus revela com precisão o Seu permear no profundo dessa pessoa; eis a sua resistência diante das batalhas. Por maiores que sejam as feridas conseguidas, o chamado não é alterado, mas continua completo e inabalável.
O processo e a resignação da fé são intensos e conflitam entre si: a chama da palavra, que segue incendiando a alma, e as pancadas que se recebem — que doem e amargam o paladar — são transformadas em forças para continuar.
Pois a fornalha não destrói; ela queima o que precisava ser queimado e purifica. O martelo tritura não para destruir, mas para refazer a pedra bruta em aliança com Deus.
O que nos mantém de pé não é a falta de lutas, mas a certeza de que Aquele que está conosco nos leva a vencer as mais árduas pelejas.
Não importam as lágrimas e nem o desabar das forças, há fragrância do Divino sendo derramada sobre os arranhões. Isto é o testemunho vivo de quem conhece o Evangelho atípico, de quem carrega em si as marcas por ter intimidade com Deus.
O excêntrico fervor da fé muitas vezes machuca, mas cura. Ele esvazia a alma do óbvio humano para enchê-la com o Cerne da eternidade.
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Pra. Elza Amorim

